Há quem ache que tudo se resolve através do Direito Penal

Se você quer ser promotor de justiça, deve buscar conhecer como as pessoas em geral concebem a criminalidade e eventualmente até mesmo a opinião da população sobre a repressão que é feita ao crime. É preciso, porém, muita cautela. É que o número de bobagens que costumamos escutar em entrevistas com populares e até mesmo vindas de analistas sociais é assustador. As opiniões simplesmente erradas parecem ter a capacidade de se alastrar tão mais rapidamente quando maior for seu coeficiente de absurdidade.
Você deve conhecer pessoas que diante de qualquer problema de nível municipal sobem na caixa de beterrabas e logo propõem, com o dedo em riste:
 
O governo deveria criar uma lei que proibisse essa conduta!

Alguns outros, com o espírito de fomento, dizem:

– O governo deveria criar uma lei que incentivasse aquela outra conduta!
 
Essas pessoas não percebem que a solução para os nossos problemas está, primeiramente, na mudança de comportamentos; e que uma lei apenas indiretamente consegue – quando consegue – essa mudança. Além disso, não percebem que existe nesse mecanismo de criação de leis e mais leis um círculo vicioso que, cedo ou tarde, se voltará contra o cidadão. Que círculo é esse? É o seguinte: quanto mais leis, mais direitos; e quanto mais direitos, mais o Estado terá de contratar pessoas para administrar a aplicação da lei, fiscalizar e punir seus infratores. Com isso o Estado cresce e aumentam os impostos e a burocracia; logo, diminui a liberdade. A fórmula final, um aparente paradoxo, pode ser assim resumida: quanto mais direitos, menos liberdade. É preciso encontrar um equilíbrio nessa equação – coisa que os norte-americanos ainda conseguem, apesar dos pesares, muito melhor do que qualquer nação civilizada.
Geralmente essas pessoas que pedem mais leis também acreditam que a criminalização do máximo de condutas nos levará à máxima felicidade. A verdade é que as pessoas dizem muita bobagem quando falam desse assunto tão cativante, que nos toca tão de perto. No Brasil temos duzentos milhões de técnicos de futebol; cada um deles é também, nas horas vagas, um legislador em potencial!
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