É o fim da linha?

Provavelmente, não. Parei nesta estação para descansar e desvendar outros horizontes. E por aqui acabei ficando. Há algumas cartas rascunhadas na gaveta, há meses à espera de que uma inspiração vinda do alto as tornasse publicáveis. No lugar da inspiração para escrevê-las vieram outros ventos (que acabaram me indicando caminhos diferentes).

Durante alguns meses eu me propus a refletir sobre a atividade a que dedico parte significativa do meu tempo – e tempo é vida. Em vias de completar dez anos de carreira no Ministério Público, tentei dialogar com o jovem que fui lá atrás, na esperança de acertar as contas com esse ser, habitante de mim há tantos anos. O resultado, se bem que parcial, foi mais rico que minhas expectativas iniciais.

Ao escrever sobre a vocação do promotor de justiça e do procurador da República, sobre a realização profissional (aquela possível), sobre as virtudes, pude acomodar bem algumas fortes impressões antes difusas no meu imaginário e na minha forma de pensar e de exercer a minha profissão.

Porém, devo reconhecer que essa reflexão pessoal chegou a um ponto a partir do qual só vislumbro imagens mal-desenhadas (expectativas, frustrações: brados e acomodações); na esperança que o tempo as torne mais nítidas, ou que eu consiga expressá-las através de outras linguagens —

amor a Deus e ao próximo
oração
(…)
trabalho
literatura

— despeço-me de você, leitor, fazendo votos de que voltemos a nos falar um dia.

Saudações,

Bruno Magalhães.

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